21 de Dez de 2008

Famílias Judias em Portugal



Não há muitos indivíduos ibéricos que possam afirmar, com certeza, ter uma ascendência completamente Europeia.
Assim o dizem recentes estudos genéticos que confirmam a miscigenação dos ibéricos com povos muçulmanos de várias origens, mas também Judeus.


No entanto, devido à perseguição de que foram alvo, muitos judeus adoptaram nomes de de árvores, animais, famílias nobres, mas também outros nomes populares em Portugal.

Deixamos aqui alguns exemplos de nomes de famílias judias portuguesas.

«“Cripto-judeus”, prevalentes, mas não de forma exclusiva, nas regiões da Beira-Baixa, Trás-os-Montes e Alentejo:

Amorim; Azevedo; Alvares; Avelar; Almeida; Barros; Basto; Belmonte; Bravo; Cáceres; Caetano; Campos; Carneiro; Carvalho; Crespo; Cruz; Dias; Duarte; Elias; Estrela; Ferreira; Franco; Gaiola; Gonçalves; Guerreiro; Henriques;Josué; Leão; Lemos; Lobo; Lombroso; Lopes; Lousada; Macias; Machado; Martins; Mascarenhas; Mattos; Meira; Mello e Canto; Mendes da Costa; Miranda; Montesino; Morão; Moreno; Morões; Mota; Moucada; Negro; Nunes; Oliveira; Ozório; Paiva; Pardo; Pilão; Pina; Pinto; Pessoa; Preto; Pizzarro; Ribeiro; Robles; Rodrigues; Rosa; Salvador; Souza; Torres; Vaz; Viana e Vargas.»

A título de exemplo abra a lista telefónica da povoação beirã de Belmonte, uma conhecida comunidade cripto-judaica portuguesa.

«Nomes de famílias judaicas portuguesas na Diáspora (Holanda, Reino Unido e Américas)

Abrantes; Aguilar; Andrade; Brandão; Brito; Bueno; Cardoso; Carvalho; Castro; Costa; Coutinho; Dourado; Fonseca; Furtado; Gomes; Gouveia; Granjo; Henriques; Lara; Marques; Melo e Prado; Mesquita; Mendes; Neto; Nunes; Pereira; Pinheiro; Rodrigues; Rosa; Sarmento; Silva; Soares; Teixeira e Teles (entre muitos outros).

Sobrenomes judaicos de origem portuguesa na América Latina:

Almeida; Avelar; Bravo; Carvajal; Crespo; Duarte; Ferreira; Franco; Gato; Gonçalves; Guerreiro; Léon; Leão; Lopes; Leiria; Lobo; Lousada; Machorro; Martins; Montesino; Moreno; Mota; Macias; Miranda; Oliveira; Osório; Pardo; Pina; Pinto; Pimentel; Pizzarro; Querido; Rei; Ribeiro; Robles; Salvador; Solva; Torres e Viana »


Veja por exemplo esta lista de sobrenomes de condenados pelo "crime de judaísmo" durante a inquisição:


Rodrigues_________453 pessoas
Nunes____________229 pessoas
Mendes___________224 pessoas
Lopes____________282 pessoas
Miranda__________190 pessoas
Gomes___________184 pessoas
Henriques_________174 pessoas
Costa____________138 pessoas
Fernandes_________132 pessoas
Pereira___________124 pessoas
Dias_____________124 pessoas


Em seguida listamos em mais detalhe uma lista mais completa de nomes de família adoptados por comunidades judias, retirado do Dicionário Sefaradi de Sobrenomes:

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Avila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balao Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirao Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Braganca Brandao Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhao

C

Cabaco Cabral Cabreira Caceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrao Callado Camacho Camara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Carceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Casseres Castenheda Castanho Castelo Castelo branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Cespedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaco Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilha Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faisca Falcao Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijao Feijo Fernandes Ferrao Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaca Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Frances Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvao Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilao Gil Godinho Godins Goes Gomes Goncalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmao Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordao Jorge Jubim Juliao

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leao Ledesma Leitao Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucao Loureiro Lourenco Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhaes Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marcal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melao Mello Mendanha Mendes Mendonca Menezes Mesquita Mezas Milao Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morao Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixao Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proenca

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarem Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrao Serveira Silva Silveira Simao Simoes Soares Siqueira Sodenha Sodre Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Tridade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valenca Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalao Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

Fonte:
http://ruadajudiaria.com/

Estes nomes de famílias são meramente indicativos. São sobrenomes que foram adoptados por famílias judias, embora existam outras famílias com os mesmos nomes sem essa ascendência. São no entanto um indício, que pode ter algum interesse para quem procura as suas origens.

É óbvio que seguindo esta lista à risca, a maioria dos portugueses teria ascendência judia. Não é pois dessa forma que deve ser encarada.
No entanto estamos certos que fará muitos militantes da extrema direita repensar os seus valores.

A única quantificação que existe, refere-se a um estudo genético realizado entre homens portugueses e espanhóis, que não consideravam ter ancestrais judeus ou "muçulmanos", nesse estudo 19,8% dos indivíduos amostrados tinham comprovadamente ascendência judia sefardita, e 10,6% tinham genes marcadores identificativos de povos do norte de África.
É interessante ver que, os ibéricos que se julgavam uma miscelânea de europeus e norte-africanos, são na realidade duplamente mais miscigenados com o povo Judeu.

O que pode ser também uma novidade é que a herança genética norte-africana está equilibrada no sul e norte de Portugal, enquanto que a herança genética Judia é mais expressiva no sul.
Também é curioso notar uma prevalência de ancestralidade Judia na zona das Astúrias, único ponto da península onde a amostra revelou suplantar a origem ibérica.


«Prevalência de marcadores genéticos de Judeus Sefarditas, Norte-Africanos e Ibéricos entre amostragens a indivíduos da península ibérica» - Clique na imagem para aumentar

Tome este estudo com cautela, pois já se sabe que a estatística é uma ciência por vezes ambígua. É ainda assim um exercício curioso sentar-se com mais 9 amigos e pensar qual deles será o marroquino e quais os dois judeus à mesa: um destes poderá ser você...

Fonte (para mais pormenores técnicos):
http://www.newscientist.com/

[A informação técnica, que está na base desta fonte, é retirada do American Journal of Human Genetics (vol 83):
http://download.cell.com/AJHG/pdf/PIIS0002929708005922.pdf?intermediate=true]

3 comments:

Caminhante disse...

Eu tenho ascendência judaica da parte da minha mãe. Tenho Silva no meu nome e a minha failia veio de belmonte. E coincidência, moro na rua da judiaria porque foi a casa mais barata que eu consegui arranjar aqui na Guarda (é mas é fria comó raio!).
Mas essa das ascendências tem muito que se lhe diga... Os portugueses não são puros (genéticamente falando...), somos um caldeirão de raças a nossa peninsula ibérica! Isso de pensar que temos algum antepassado glorioso seja rei ou nobre é muito falacioso. Pois das duas uma: ou temos mesmo, porque a probabilidade é essa se andar-mos mais ou menos para trás no tempo algo se há-de encontrar; ou isso é uma maneira de auto-afirmação: "é que eu venho de familia tal, sou muito importante!". A esta hipótese chama-se "orgulho-familiar"! Mas sejamos mais profundos na observação: o que realmente nos define como seres humanos é a consciência que pomos em cada momento, cada vez quer ressaltamos o nosso lado mais nobre que todos de certeza temos! Essa é a fonte de toda esta busca. Isso é que nos define como pessoas e como humanos. O resto é enganarmo-nos a nós próprios!
Abraço...

Egitaniense disse...

Pode sempre imaginar-se no auge da Judiaria, quando fechavam os portões e a comunidade ficava autenticamente presa dentro da cidade.

Convém relembrar que há cerca de 502 anos ocorreu um terrível massacre em Lisboa quando um "Cristão Novo" (Judeu convertido ao cristianismo) ousou comentar que uma luz que incidia no crucifixo não era obra de milagre divino, mas sim da luz de uma candeia.

Arrastaram o desgraçado para fora da capela pelos cabelos, matando-o
e posteriormente queimando-o em praça pública provocando grande alvoroço.
Os autores desta morte e dos incitamentos que se seguiram foram frades dominicanos, percorrendo as ruas provocando um ajuntamento que degenerou em motim, onde foram linchados mais de mil cristãos-novos ao longo de três dias de verdadeiro inferno.

Relatos da época falam em todo tipo de atrocidades... e pensando bem não foi assim há tanto tempo.

superior disse...

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