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08/10/2012

Uma gestão pouco Mansa

«Os vivos dormem com os mortos no hospital da Guarda

Motoristas que transportavam mortos a partir das 20 horas deixaram de receber horas extras. Morgue fica situada apenas a 100 metros da unidade hospitalar.

Quem morrer no hospital da Guarda a partir das 20 horas fica na enfermaria até de manhã. Com os vivos. Os motoristas que levavam os cadáveres à morgue deixaram de receber horas extras.

A situação insólita, resultante de uma decisão tomada pela Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, foi comunicada aos seis motoristas há cerca de dois meses. Desde então, estes profissionais deixaram de receber os suplementos noturnos até aí auferidos.

A medida terá sido justificada com a necessidade de reduzir custos e terá um impacto nas contas de algumas centenas de euros mensais. "Como se fosse esse dinheiro a dar cabo do orçamento", reconheceu, ao JN, fonte hospitalar.»

IN: JN

01/10/2012

Carlos "Nostradamus" Carvalhas - Discurso de 1997

«Esta interpelação do PCP ao Governo, centrada na moeda única, realiza-se num
momento em que grandes movimentações de trabalhadores se intensificam na generalidade
dos países da União Europeia com o apoio e a compreensão das populações confirmando
que a política de austeridade levada a cabo em toda a Europa comunitária, em
nome da moeda única, se confronta com uma crescente oposição social. Na Alemanha,
na França, na Bélgica, na Grécia, em Espanha ou em Itália, como também em Portugal.

O que fundamenta a oportunidade desta interpelação é que é
num momento em que a opinião pública menos crê, mais questiona
e mais duvida das alegadas virtudes de uma moeda única fundada
nos critérios e orientações de Maastricht, que o Governo
português mais quer acelerar a marcha silenciosa e forçada, na
prática habitual dos factos consumados, de modo a submeter o
País às decisões monetaristas e neoliberais e a aprisioná-lo
no quadro da "gangrena" da moeda única, a partir de 1
de Janeiro de 1999.

Por isso nós acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de, em nome dos critérios
de Maastricht e da participação no núcleo duro da moeda única, prosseguirem
e aprofundarem uma política que trava e funciona contra o crescimento económico,
o investimento e o emprego no nosso País.

Acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de conduzirem uma
política económica subjugada pela prioridade absoluta da moeda
única que se traduz numa política de regressão social, de
aumento do desemprego e na eliminação de direitos duramente
conquistados pelos trabalhadores ao longo de muitas dezenas de
anos.

Acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de com a sua fé cega
nos dogmas de Maastricht e da participação na moeda única
espoliarem o País do poder soberano de utilizar os instrumentos
monetário e orçamental para enfrentar situações de crise,
impondo assim que todos os custos recaiam inevitavelmente sobre
os trabalhadores, através do aumento do desemprego e do
congelamento ou reduções salariais; sobre os reformados e sobre
muitos e muitos pequenos e médios empresários.

Acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de, através da moeda
única, pretenderem amarrar Portugal a uma evolução federalista
da União Europeia, sem que para tal tenham mandato dos
portugueses.

E acusamos o Primeiro-Ministro e o Governo de, pela recusa de
um referendo sobre a moeda única e sobre o Tratado da União
Europeia, se concertarem com a direcção do PSD para
deliberadamente manterem os cidadãos à margem de uma decisão
que, indisfarçavelmente, afectará profundamente o futuro dos
portugueses e do País. Aliás não constando sequer do Tratado
da União Europeia o Governo aceitou há poucos meses o chamado
"Pacto de estabilidade" que prevê sanções que
poderão ser muito lesivas para o nosso país que tem uma
economia frágil, sem qualquer debate prévio e sem qualquer
mandato do povo português. Um "Pacto" imposto pela
Alemanha que subserviente e levianamente o Governo assinou em
nome dos portugueses e de Portugal.

E quando se questiona o Governo sobre as consequências para o
nosso aparelho produtivo, para as pequenas e médias empresas
não exportadoras, ou sobre quem vai pagar os custos operativos
da introdução do "Euro", cada Banco, ou mesmo no
pequeno comércio a resposta é inevitavelmente a mesma: não há
outro caminho, não há outra solução.

Depois quando o desemprego explodir e ele já é bem superior
ao que as manobras estatísticas revelam, então lá teremos as
desculpas dos constrangimentos externos...

Estas acusações senhores Deputados, consubstanciam os
motivos fulcrais desta interpelação do PCP ao Governo do eng.
António Guterres e do Partido Socialista.

Importa, e exige-se, que durante este debate o
Primeiro-Ministro e o Governo interpelados respondam às nossas
acusações e às nossas interrogações e propostas com a mesma
seriedade e sentido de responsabilidade com que as formulamos
nesta interpelação.

A perspectiva de passagem à moeda única não é nem pode ser, uma questão exclusivamente
para especialistas, como pretende o Governo português.

Pelo seu significado e implicações, ela tem de ser colocada
à apreciação e submetida ao juízo da opinião pública.

Esta é uma questão democraticamente incontornável.

A política para a moeda única tornou-se uma fonte de
interrogações, de inquietações para um número crescente de
portugueses que cada vez mais, e bem, estabelecem uma relação
directa entre tal opção com a sua vida quotidiana e reivindicam
o direito democrático de serem informados em debate
contraditório e de serem consultados.

Relevando do estrito respeito da democracia, não é possível
fazer desaparecer a moeda nacional, com todas as suas
consequências políticas, económicas e sociais, sem que sobre
isso previamente seja consultado o Povo português.

Continuando a recusar a possibilidade de um referendo sobre a
questão central da União Europeia, sobre a Moeda Única, a
posição do Governo, do PS e do PSD abrindo as portas à
possibilidade de um referendo sobre matérias vagas e laterais
decorrentes da revisão do Tratado não passa de uma desajeitada
manobra de diversão, de um autêntico
"referendo-ficção".

A verdade é que o Governo do eng. Guterres e o PS, irmanados
com o PSD, decidiram desde o princípio que o País tem de querer
a moeda única e o Tratado de Maastricht. E é a esse querer
unilateral e autoritário que o eng. Guterres e o Governo
apelidam de "desígnio nacional".

O que está justamente por apurar é a existência e a
dimensão de um consenso dos portugueses sobre esse dito
"desígnio".

Porque se há alguma coisa evidente nesta matéria é que a
moeda única e o Tratado da União Europeia não são consensuais
na sociedade portuguesa, e é crescente a angústia, a
indignação e a preocupação dos que têm um vínculo
precário, dos desempregados, dos trabalhadores e de muitos
empresários que querem ser cabalmente esclarecidos e que querem
pronunciarem-se sobre a matéria.

Porque é um facto que, para além daqueles que, como o PCP,
se opõem clara e frontalmente aos critérios de Maastricht, à
Moeda Única e a esta "União Europeia", há igualmente
muitos portugueses que colocam justificadas reservas ao
voluntarismo e ao artificial impulso federalista que mora em
Maastricht e assenta as suas bases na moeda única.

O referendo é uma condição do esclarecimento popular e de
ponderação nacional sobre o significado e as consequências de
tal escolha.

Só a campanha do referendo poderá proporcionar o debate
contraditório, generalizado e esclarecedor que é
indispensável. E o interesse em participar na decisão levará a
generalidade dos cidadãos a interessar-se pelo assunto e a
decidir em consciência sobre uma opção tão decisiva para o
futuro de Portugal.

As grandes decisões que, como esta, afectam profundamente o
curso histórico do nosso País, carecem indubitavelmente de uma
legitimação democrática qualificada.

Mas para matéria tão decisiva o tão celebrado «diálogo»
já não faz parte dos atributos do Governo. Temos sim o diktat
do "Pensamento Único" e dos compromissos do governo
PS. É caso para perguntar: de que tem medo o PS? Que razões
existem para tão grande falta de autoconfiança nas virtudes
desse paraíso anunciado que vos leva a proibir, nos termos
constitucionais, que o povo português seja chamado, por
referendo - como o PCP propõe - a pronunciar-se sobre a moeda
única? Se só temos vantagens com o "euro", se tudo é
"cor de rosa", e "oásis" porquê ter medo
que seja o povo a decidir?

Argumenta o Sr. Primeiro-Ministro com os mercados que
fustigariam o escudo! Bela desculpa. Os mercados, Sr.
Primeiro-Ministro, não são entidades abstractas, têm rosto,
são os Bancos, é o capital financeiro. Têm rosto mas não têm
certidão de eleitor. Ou será que o governo PS entende que os
mercados devem decidir pelo povo português? Pela nossa parte
rejeitamos a teologia economicista que confia aos
"mercados" o Governo de Portugal.

Nenhum governo tem legitimidade ou está mandatado para
suprimir a moeda nacional e substituí-la por uma moeda única da
União Europeia imposta pelos interesses do eixo franco-alemão.

O Governo e o PS (tal como o PSD) não querem o referendo
porque não querem o debate, e não querem o debate porque têm
receio de que a sua propaganda seja contestada, porque sabem que
aquilo que apregoam a favor do euro é uma mistificação, porque
o seu diálogo, é um diálogo de sentido único, só para
falarem mas não para ouvirem, e muito menos para considerarem o
que ouvem.

Porque o PS (e o PSD) sabe que a moeda única e o caminho
seguido põe em causa e subalterniza o princípio da
"coesão económica e social", tem pés de barro e os
ditos critérios não têm qualquer fundamento económico ou
científico.

É um caminho para mais desemprego e sub-emprego, que
fragiliza e põe em causa o aparelho produtivo nacional e o
futuro soberano e democrático de Portugal.

A moeda única fragiliza e põe em causa o aparelho produtivo nacional.

É ou não verdade que a moeda única, um euro feito, como é
inevitável, à imagem e semelhança do marco, super valorizado
em relação ao curso normal do escudo, vai tornar ainda mais
difícil a competitividade dos produtos portugueses nos mercados
europeu e mundial quando confrontados com os nossos principais
concorrentes, os países fora da zona do euro, os países
asiáticos, os países do continente americano, com as suas
moedas e taxas de câmbio próprias?

No mercado comunitário, incluindo no mercado nacional, face
à menor eficiência da nossa economia, os produtos portugueses
ou aparecerão mais caros e as empresas terão dificuldades
acrescidas na venda, ou terão preços semelhantes aos de outros
países comunitários e as empresas portuguesas venderão com
margens cada vez menores ou mais certamente pela redução
relativa dos salários.

A moeda única é um instrumento de aprofundamento do mercado
único e de desregulamentação das fronteiras. Muitas e muitas
empresas, bem como os agricultores portugueses, que vendem para o
mercado nacional, vão confrontar-se também com a aceleração
das importações feitas com mais baixos custos cambiais e
portanto com uma ainda maior substituição da produção
nacional por produção estrangeira. O encerramento de empresas e
a crise em muitos sectores serão a consequência lógica de tal
processo. Seria por isso de grande interesse que o governo nos
dissesse aqui como é que a economia portuguesa vai aguentar o
duplo choque a que vai estar submetida: o choque da moeda única
e o choque da crescente abertura ditada pela O.M.C.

A moeda única e os critérios de Maastricht são um factor de
aumento do desemprego.

A livre circulação de capitais - facilitada e dinamizada
pela moeda única - em condições de relativa aproximação
média das taxas de juro, vai impulsionar a deslocalização do
dinheiro, dos investimentos, das empresas, para as regiões da
Comunidade Europeia com maiores produtividades e dinamismo
económico.

A vantagem «comparativa» que o Governo do PS se prepara para
oferecer é uma força de trabalho mais barata, com menos
garantias sociais.

Aí virão os apelos e as chantagens sobre os trabalhadores
para políticas ditas de moderação salarial, de aumento da
desregulamentação das relações de trabalho, de mais
precariedade, de maior facilidade de despedimento, de mobilidade
dos trabalhadores, de menor protecção social. E isto num país
onde os lucros das grandes empresas estão em alta e o
investimento em baixa, onde cerca de 50% da mão de obra tem
vínculos precários e onde se mantêm as artimanhas
governamentais para que as 40 horas não sejam cumpridas!

Os casos Renault multiplicar-se-ão debaixo das lágrimas de
crocodilo do eng. Guterres e do Sr. Santer, escondendo que as
Renault são uma consequência inevitável e inerente à
política de austeridade da moeda única. Como afirma o
Relatório final pedido pelo Parlamento Europeu a várias
Universidades europeias, sobre as «Consequências Sociais da
UEM», as «piores consequências da convergência para a UEM
far-se-ão sentir nas regiões menos favorecidas da União
Europeia. A probabilidade de da UEM resultarem consequências
sociais nefastas é maior na Grécia, Itália, Espanha e
Portugal...». É uma evidência que com a liquidação de
empresas e sectores o aumento do desemprego será uma realidade.

Não fomos nós que afirmámos ao J.N. (15.2.97) que
«Empresas vão fechar e existe um risco de um aumento de
desemprego», Victor Constâncio.

A moeda única não vai dar mais voz a Portugal

Bem pelo contrário. A moeda única vai entregar a condução
da política monetária e cambial, da política fiscal e da
política económica ao Banco Central Europeu, omnipotente e
intocável, em cujas decisões executivas dominadas pelo eixo
franco-alemão, Portugal não participa.

Por isso o estarmos no "pelotão da frente" como diz
o PSD ou no centro das decisões como diz o PS - diferenças
semânticas - não passa de milongas e de frases
propagandísticas sem conteúdo concreto.

Como afirma recentemente um relatório do Conselho da Europa,
o «défice democrático que existe no seio da União Europeia
agravar-se-á de maneira intolerável».

Portugal perde um elemento constitutivo da sua soberania
nacional. Como parente pobre e subalterno a voz do país não
terá qualquer peso ou relevo significativo e andará a reboque
dos interesses das grandes potências.

É sabido também que os níveis económicos e monetários
tendem a aumentar o fosso entre as zonas mais desenvolvidas e as
de menor desenvolvimento. A história mostra-nos que para
compensar tal tendência os governos foram obrigados a reforçar
através dos respectivos orçamentos as compensações a essas
regiões. Mas no caso da União Europeia como é sabido, os
países ricos recusam-se a reforçar o Orçamento comunitário e
com o alargamento as pressões negativas ainda vão ser maiores.
Chegou a falar-se de um Fundo para o efeito, mas tal foi
abandonado.

É conhecido também a "blague" de que em qualquer deserto os critérios
de Maastricht são rigorosamente cumpridos pela simples razão de que aí não há
pessoas...

O PS sabe bem que tais critérios assim como a decisão de
entrada no Euro são escolhas políticas que vão ser tomadas por
maioria que é com quem diz pelos grandes!

Veja-se a contabilidade criativa do Eurostat sobre a dívida
pública e a não inclusão dos juros para se abrirem as portas
do "Clube do Euro" a certos países em dificuldades
(Bélgica, Itália..).

Por isso não se pode deixar de ouvir com um sorriso a
declaração enfática do Sr. Primeiro-Ministro, de que Portugal
deixaria entrar a Alemanha no Euro mesmo que este país não
viesse a cumprir os ditos critérios... e desde que tal não
fosse estrutural... Consta que o Chanceler Khool que já não
dormia há três dias por não saber qual seria a decisão do
Eng. Guterres - teve ontem à noite um sono descansado e
repousado! Portugal deixa a Alemanha entrar no Euro e não quer
qualquer adiamento! O ridículo tem limites! Ou será que algum
membro deste ditoso Governo está convencido que havia moeda
única se o senhor Khool mudasse de opinião?

Para o PS do Eng. Guterres - ao contrário de outros partidos
socialistas - não há reservas, nem em relação ao «nó duro»
do Euro, nem a uma «zona alargada» do marco, nem há
preocupações com o "Pacto de estabilidade", nem com a
submissão a um Banco Central feito à medida do Bundesbank!

Ao contrário do que se quer fazer crer há outros caminhos.
É possível uma outra construção europeia de paz e
cooperação, de co-desenvolvimento, que faça do princípio da
coesão económica e social o seu primeiro objectivo, que ponha
em primeiro lugar o emprego e a convergência real das economias
e não a convergência nominal. Uma Europa plural que ataque um
dos seus mais graves problemas; o desemprego, o que passa por uma
verdadeira cooperação monetária, pelo reforço do Orçamento
Comunitário, pelo financiamento de projectos comuns, pelo
aproveitamento dos recursos de cada país e pela solidariedade
recíproca. Uma Europa social, harmonizando por cima em vez de
nivelar por baixo ou pelo nível dos países do Terceiro Mundo as
conquistas sociais.

A moeda única não é um projecto de cooperação Europeia, não é um projecto para
o desenvolvimento das economias mais periféricas, e da economia portuguesa em
particular.

A moeda única não é um projecto para mais e melhor emprego.

A moeda única é um projecto ao serviço de um directório de
grande potências e de consolidação do poder de grandes
transnacionais na guerra com as transnacionais e as economias
americanas e asiáticas, por uma nova divisão internacional do
trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.

A moeda única é um projecto político que conduzirá a
choques e a pressões a favor da construção de uma Europa
federal, ao congelamento de salários, à liquidação de
direitos, ao desmantelamento da segurança social e à
desresponsabilização crescente das funções sociais do
Estado...

O Primeiro-Ministro vai procurando enfeitar o seu febril fundamentalismo pela
Moeda Única, pela Europa política, económica e monetária, com a referência vaga
a uma dita Europa social.

Mas a Europa social que os trabalhadores e o povo português reclamam não pode
resumir-se a meras frases vazias de conteúdo, nem à concepção de uma Europa
social "complementar" e de disfarce da Europa comandada pelo capital
financeiro em que o "social" apenas visa favorecer uma certa resignação
dos trabalhadores à pretensa inevitabilidade da baixa dos custos do trabalho.

Essa concepção instrumental, subordinada e propagandística
do "social" na Europa da moeda única é, aliás,
perfeitamente comprovada com o facto de a menção do emprego
como princípio de valor equivalente à estabilidade monetária
ter sido rejeitada pelos governos dos quinze na Conferência
Inter- Governamental. Ou como, mais cruamente, a pôs a nú o
presidente do Bundesbank ao afirmar que "com a moeda única,
o airbag social será suprimido".

"A coesão económica e social" deve ser o objectivo
central de qualquer integração europeia e não uma vulgar
opção que se junta em último lugar para tornar o todo
publicamente apresentável. De nada representaria amanhã uma
gota de "social" no oceano do desemprego, da pobreza,
da desregulamentação, da flexibilidade, da liquidação de
direitos e do tudo à economia de casino que é o que representa
a Europa da moeda única.

É a própria lógica da actual construção europeia que
está em questão.

Esperamos que neste debate o bom senso, a reflexão e a
ponderação, triunfem sobre a propaganda, os dogmas do
neoliberalismo e a arrogância do "Pensamento Único".

Esperamos que a arrogância e a política dos factos
consumados cedam perante a exigência popular da realização de
um referendo sobre a opção de aderir à moeda única. Portugal
precisa de uma mudança, de rumo na sua política económica e
social.»

Fonte: 

28/09/2012

Coficab reforça vendas e cria 50 novos empregos na Guarda

«Cerca de 90% da facturação, de 168 milhões de euros em 2011, segue para os mercados externos.

A Coficab Portugal - subsidiária instalada na cidade da Guarda do grupo tunisino Coficab - reforçou a sua componente exportadora para os 90% do total da facturação (de 168 milhões de euros no final de 2011), tendo-se visto forçada a aumentar a sua capacidade de produção.

Para isso tem em execução um projecto de investimento da ordem dos 12 milhões de euros - que prevê a aquisição de novas instalações e a instalação de três novas linha de produção de cabos para os sectores automóvel e do transporte de energia. O director-geral da operação portuguesa da Coficab, João Pires, disse ao Diário Económico que "com este investimento vamos avançar com um quarto turno de trabalho, pelo que, a breve prazo, iremos criar cerca de 50 novos postos de trabalho", numa unidade que já emprega 270 colaboradores.

Apesar de a Guarda ser uma cidade do interior em crescente desertificação, "não vamos ter qualquer dificuldade em encontrar colaboradores porque ainda há muitas pessoas especializadas disponíveis, depois do fecho da Delphi da Guarda".»

In: Diário Económico

24/09/2012

Explicado o "Milagre" Exportações

«Quase dez por cento do crescimento das exportações de mercadorias este ano resultam da venda de ouro, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). 

 Nos primeiros sete meses de 2012, Portugal exportou 26.914 milhões de euros em bens. Este valor é superior em 2.193 milhões ao que se registou no mesmo período do ano passado (subida de 8,9 por cento; valores nominais). Ora, nos primeiros sete meses de 2012, as exportações de ouro portuguesas ascenderam a 455,9 milhões de euros. Comparando com o mesmo período de 2011, Portugal vendeu mais 201 milhões de euros em ouro, um crescimento superior a 75 por cento. Ou seja, do aumento de 2.193 milhões de euros nas exportações portuguesas, quase um décimo (9,1 por cento) deve-se ao crescimento das vendas de ouro.

 As estatísticas do INE mostram que as exportações de ouro dispararam a partir de 2008. Até esse ano, o valor do ouro não-monetário vendido por Portugal ficava abaixo dos dez milhões de euros. Em 2008, esse valor disparou para 33,4 milhões. No ano seguinte, chegou-se aos 102 milhões. Se a tendência de crescimento dos primeiros sete meses deste ano se mantiver, em 2012 as exportações de ouro vão ascender a 800 milhões de euros. Parte deste crescimento é explicável pela subida na cotação do ouro.

Segundo números do Banco de Portugal, o preço do ouro nos mercados internacionais quintuplicou nos últimos dez anos. Porém, apesar de significativo, este aumento só justifica uma pequena fatia do crescimento explosivo das exportações portuguesas de ouro nos últimos quatro anos. A maior parte do crescimento foi mesmo em volume, não em preço. Exportações de ouro Ano Valor (milhões de euros) 2012 (até julho) 445,9 2011 519,4 2010 216,4 2009 102,1 2008 33,4 2007 6,9 2006 8,5 2005 1,4 2004 1,9 2003 2,3 2002 4,5 2001 5,6 2000 9,3 Fonte: Instituto Nacional de Estatística
In LUSA, PGR.»

Quanto do restante crescimento das exportações, não é meramente venda de bens penhoráveis, transferências de maquinaria e tecnologia paradas por efeito da desindustrialização?

03/09/2012

Alunos passam fome na Guarda


(Noticia Correio da Manhã)

«Felisberto Costa, que garante ao CM já ter alertado as autoridades de São Tomé e Príncipe em Portugal, revela que estas situações de pobreza extrema "são consequência do corte das bolsas de estudos a alunos emigrantes".

"Este ano foi um inferno, assim vou embora", desabafa Ludimara Almeida, aluna da Escola Profissional de Gouveia. A jovem, de 22 anos, partilha o pensamento de muitos são-tomenses que vieram para Portugal ao abrigo de bolsas de estudo pagas pelo governo local. Mas o dinheiro "chega tarde e só dá para pagar as rendas e as contas em atraso".

Os casos de fome nesta comunidade estudantil são recorrentes. "Soube de colegas que foram buscar comida a caixotes do lixo", adianta. "Em vez de duas refeições, faz-se uma, mas tem de chegar para todos", conta Ildecino Amaral, de 28 anos. Alguns alunos têm comido com a ajuda da Cáritas da Guarda.»


in:
Alunos passam fome na Guarda

30/08/2012

Alunos São-Tomenses em dificuldades na Guarda

Numa carta dirigida ao Ministério da Educação e Cultura de São Tomé e Príncipe, a associação de estudantes dos PALOP denuncia a grave situação por que passam os alunos São-Tomenses a estudar na região da Guarda:

Carta Para o Ministro DAIO

São pois situações muito graves aquelas descritas no documento supra-citado e às quais São Tomé e Príncipe parece não poder responder.

Cabe-nos pois  a nós demonstrar solidariedade por outros seres humanos que passam dificuldades extremas no seio da nossa comunidade.

Fonte: http://www.telanon.info/sociedade/2012/08/28/11204/associacao-dos-estudantes-dos-palop-escreveu-carta-para-o-ministro-da-educacao-olinto-daio/

17/08/2012

34 Mineiros Fuzilados - Capitalismo sanguinário

Ontem (16 de ago. de 2012) a polícia Sul-Africana fuzilou  à queima-roupa 34 mineiros.



O crime? - uma manifestação por melhores salários. O dono da mina de platina já veio pedir desculpas pelo atraso na produção, causado pelas manifestações ...

UBI humilha alunos com dificuldades económicas

Já não bastava o drama socio-económico que o país atravessa no momento presente, agora são as próprias instituições universitárias que vêm humilhar os alunos com problemas financeiros através da publicação e publicitação de listas dos "caloteiros" que por qualquer motivo não conseguem pagar as propinas...

A educação é cada vez mais uma coisa de ricos. Os demais podem bem tentar, mas correm o risco de ser enxovalhados em praça pública e posteriormente verem-se expulsos das instituições de ensino, por terem cometido o grave crime de não terem dinheiro.

Até os piores criminosos têm direito a julgamento justo, mas em Portugal ser abertamente pobre é crime sem direito a de defesa ou segunda oportunidade.

FONTE:
http://www.guarda.pt/noticias/sociedade/Paginas/ubi-afixa-lista-de-alunos-devedores.aspx

08/07/2012

Mineiros espanhois em Luta !



«La localidad leonesa de Ciñera se ha convertido durante las últimas semanas en el escenario de una auténtica batalla que no cesa. En sus calles se han vivido algunas de las jornadas más duras del conflicto minero y esto se refleja en la «tensión» que se respira en el ambiente y en la «angustia y el miedo» que aseguran sentir sus vecinos. Los cortes de tráfico en la N-630, que une la provincia leonesa con Asturias, y en las vías del tren, que discurren de forma paralela a la carretera, se han convertido en una imagen habitual en este pequeño pueblo, que se ha transformado en la trinchera perfecta para las escaramuzas que protagonizan los mineros en sus ya habituales e «intentos» enfrentamientos con la Guardia Civil. Allí se sienten como en casa y tienen a «mano» la posibilidad de «retener» a los conductores y trenes sin apenas esfuerzo. Además, la paticular situación del municipio, situado entre montañas y laderas, les facilita una posible huida.(...)



Pese a estar hartos del «cansancio» que supone una lucha «constante», los vecinos están de parte de los mineros y les expresan «todo» su apoyo para que lleguen «hasta el final» en su defensa del sector del carbón. Los mensajes de ánimo se pueden ver en las camisetas de los ciudadanos -las utilizan no sólo para las protestas, sino también en su vida cotidiana- y en las pancartas que cuelgan casi de cada balcón y de cada ventana de la localidad.»


In: www.abc.es (07/07/2012)


04/07/2012

«The World Tomorrow» de Julian Assange - completo

Os midia portugueses não têm dado cobertura ao novos desenvolvimentos na perseguição movida a Julian Assange, nem tão pouco ao seu recente pedido de exílio.

Aqui vos deixo um conjunto de interessantes entrevistas que efectuou a alguns dos líderes mais controversos da actualidade:





















27/06/2012

Há Dúvidas sobre o diploma do Relvas

«Miguel Relvas não revela o seu percurso académico


Várias consultas aos documentos existentes publicamente não permitiram descobrir a forma como o ministro mais polémico de Passos Coelho tirou a licenciatura.



Em que universidades estudou? Que cursos frequentou? Com que média tirou a licenciatura? Teve equivalências em algumas cadeiras universitárias? Perguntas que, ao fim de uma semana, permanecem ser resposta, apesar dos esforços desenvolvidos pelo “O Crime” para as tentar obter. O ministro simplesmente escondeu as suas habilitações académicas e tudo que se conseguiu descobrir foi uma série de factos mal explicados no percurso académico do ministro, a fazer lembrar a polémica gerada em torno da licenciatura do engenheiro José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal.

Os dados constantes na conhecida Wikipédia, um site onde são disponibilizados os perfis de inúmeras figuras públicas e de actualização permanente, embora não seja totalmente fiável, dizem que Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas nasceu em Lisboa em 1961, tendo vivido em Angola até 1974. De novo em Portugal, frequentou o Colégio Nun’Álvares, em Tomar, e a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, acabando por se licenciar em Ciência Política e Relações Internacionais em 2007, na Universidade Lusófona.

Na biografia que é apresentada no site do Governo, não é feita qualquer alusão à formação académica de Miguel Relvas e no seu perfil na Assembleia da República apenas se refere que é licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona.

Direito?

Recuando ao ano de 1987 e à ficha então preenchida, ainda de forma manuscrita na Assembleia da República, é possível descobrir que Miguel Relvas disse ter o 2° Ano de Direito, mas não se refere em que universidade os frequentou. Como na Wikipedia se refere a Faculdade de Direito de Lisboa e tratando-se de uma figura pública, sendo plausível que o ministro tenha assessores atentos à sua imagem e às informações que são tomadas públicas — o próprio ministro pode corrigir as informações naquele site — “o Crime” tentou saber qual o percurso académico de Relvas naquele estabelecimento de ensino. A resposta daquela faculdade foi lacónica: “Vimos a informar que não se encontra, nos arquivos académicos da Reitoria e da Faculdade de Direito, qualquer processo académico em nome de Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas.”

Face a isto, só havia uma solução, pedir ao ministro informações sobre o seu percurso académico. Porém, apesar de vários e-mails enviados na passada e nesta semana e dos inúmeros telefonemas para o seu assessor, António Valle - só um foi atendido -, que prometeu fornecer tais dados na tarde de sexta-feira, ou na manhã da passada segunda-feira, a verdade é que não foi dada qualquer informação. O ministro ou o seu assessor (ou ambos) esconderam clara e deliberadamente o percurso académico do governante que, como titular de um cargo público, está abrangido pela denominada “lei da transparência”.

Apesar da pouca colaboração de Miguel Relvas, que teve muitos minutos para nos dar uma resposta e não o fez, “o Crime apurou que o ministro esteve matriculado num curso de Direito na Universidade Lusíada, no ano lectivo de 1984/85. No ano seguinte, não terá gostado do curso, e mudou para História. O seu nome só voltou a ser notado na Lusíada em 1995/96, quando se inscreveu no curso de Relações Internacionais.
Perante este percurso, ficam por explicar os dois anos de Direito que disse ter em 1987 quando fez parte da X Legislatura, num dos governos de Cavaco Silva. Importava saber quando é que o ministro se inscreveu na Universidade Lusófona, mas deste estabelecimento de ensino e após cinco dias, apenas se conseguiu obter a seguinte informação: “Em resposta ao pedido de documentos relativos ao ex-aluno desta Universidade, Sr. Dr. Miguel Relvas, vimos comunicar que já demos seguimento ao pedido, estando a ser cumpridas as exigências legais aplicáveis, nomeadamente as impostas pela Lei n° 46/2007, de 24 de Agosto. Logo que possível entraremos de novo em contacto.”

Segundo o jornal “O Mirante” divulgou numa crónica alusiva à licenciatura, na Lusófona, do ministro, que concorre pelo círculo de Santarém, “Miguel Relvas era acusado por alguns detratores de nunca ter trabalhado na vida, nem sequer como estudante, e também diziam que se sentia deprimido quando o tratavam por Dr. sem que ele o fosse realmente”. Em Portugal quem não tiver uma licenciatura não pode ocupar os mais altos cargos da administração pública.»



IN: «O Crime» - quinta-feira, 07-06-2012 

26/06/2012

Vergonha

É um governo sem vergonha aquele que trata os nossos melhores investigadores desta forma:

23/05/2012

UBI apurada para o mundial de Pontes de Esparguete

«Uma equipa do Departamento de Engenharia Electromecânica vai representar a Universidade da Beira Interior (UBI) no CampeonatoMundial de Construção de Pontes de Esparguete.

A prova, que visa testar o talento dos estudantes, vai decorrer esta sexta-feira, dia 25 de maio, sexta-feira, na Óbuda University, em Budapeste, Hungria.
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Fonte: Agência Lusa

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